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25/09/2008

Facilidade de financiamento embala o sonho da casa própria

O aquecimento do mercado de imóveis vem ocorrendo em boa parte pelas melhores condições de financiamento oferecidas pelo sistema bancário e diretamente pelas construtoras. Para atrair a camada da população que sonha com a casa própria, mas não pode arcar com custos altos ao longo da construção - enquanto ainda vivem em imóveis alugados - as construtoras estão financiando diretamente o imóvel, durante o período da obra, a baixo custo.
Há alguns anos, a relação entre o que era financiado durante e depois da obra era de 40% e 60%. Hoje, esta proporção Já chega a 20% e 80%. A tendência é que se reduza cada vez mais o que é necessário desembolsar antes da entrega chaves do imóvel.
O financiamento pós-chaves, antes limitado a 60 meses, alcança hoje 300 meses. A taxa de financiamento, antes no patamar de TR + 14.5%, é reduzida para TR + 10%, e considerando a redução da TR, houve uma queda de taxa nominal de juros da ordem de 18% para pouco mais de 11.5% ao ano, ou quase 40% de redução nominal total.
Segundo o presidente da Ademi, Rogério Chor, as grandes incorporadoras estão muito capitalizadas, seja por associações, por abertura de capital ou associação com estrangeiros e isso faz com que, muitas vezes, o próprio incorporador financie o imóvel.
"O maior desafio dos construtores e incorporadores brasileiros hoje é adequar as ofertas imobiliárias para as classes média e média-baixa e oferecer empreendimentos que atraiam ainda mais os investidores. E o momento é bom para isso. Com a abertura de capital de algumas das maiores incorporadoras do País e a criação de fundos de investimento, foi possível alongar os prazos de financiamento para o comprador e a parcela a ser paga durante a obra diminuiu sensivelmente", afirma Chor.
Boa oportunidade
Gerente de um salão de beleza no Norte Shopping, Marcela Bento de Oliveira é um exemplo do consumidor que utilizou esse tipo de financiamento. Ela está adquirindo um apartamento em Dei Castilho de R$ 146 mil com 30% do total financiado pela construtora, enquanto o condomínio é erguido. Com isso, as prestações mensais são de R$ 800,00. "Queria mais qualidade de vida, morar perto do trabalho. Essa foi uma boa oportunidade", afirma Marcela.
O grande desafio da indústria imobiliária é incluir cada vez mais gente entre os que têm condições de adquirir um imóvel. E isto vem sendo feito. Mas é insuficiente para suprir o déficit habitacional brasileiro, que é da ordem de 7 milhões de moradias, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
No primeiro semestre de 2008, o financiamento com recursos de poupança cresceu 86% em comparação com o mesmo período do ano anterior, com 128 mil unidades, de acordo com a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). As expectativas são de que o número de unidades financiadas até o final do ano bata o recorde de 267 mil financiamentos, que data de 1981.
Segundo Rodolpho Vasconcellos, diretor da empresa de crédito imobiliário Domus, a grande oferta por parte dos bancos, com dinheiro barato, é um incentivo ao setor. "Esses recursos incrementam o mercado. Existe uma demanda grande que depende de crédito parase tornar efetiva".
Apesar do momento de juros em alta e de ameaça da inflação, o mercado mantém o otimismo. A percepção é de o segundo semestre do ano, tradicionalmente, é mais aquecido que o primeiro. Para embasar as boas perspectivas, especialistas apontam que o aumento da taxa básica dos juros (Selic) não influencia os financiamentos imobiliários que têm taxas tabeladas e prazos bem ampliados. Além disso, citam a Taxa Referencial (TR), que usualmente não sobe mais do que 2% ao ano.
Alienação fiduciária Outra condição favorável paira equilibrar o mercado, afirma o diretor-executivo da Basimóvel, Alexandre Fonseca, foi o estabelecimento da alienação fiduciária, que dá o imóvel como garantia em caso de inadimplência, sem a necessidade de envolvimento da Justiça.
Mas não são apenas as facilidades financeiras capazes de atrair os novos compradores. Os consumidores estão cada vez mais bem informados e exigentes. Querem unir qualidade da construção, conforto e segurança em um mesmo lugar. "Deve surgir um maior número de empreendimentos que atendam toda a necessidade do morador em um mesmo lugar. São verdadeiros bairros fechados que se propõem a suprir todas as necessidades de seus moradores, que estão sendo motivados por aspectos ctoio segurança, trânsito, entre outros", analisa Rogério Chor.
Apesar da facilidade para Rogério Chor: "O maior desafio hoje é adequar as ofertas para as classes média e média-baixa e oferecer empreendimentos que atraiam os investidores"compra de imóveis, ainda existe espaço para crescimento na procura por locação. Ë o que defende o gerente geral de Imóveis da Apsa, Rogério Quintanilha, para quem as áreas de maior conveniência, como os bairros da Zona Sul são carentes em terrenos para a construção, o que justificaria a procura por locação nestes locais.
"Como habitação é ter onde morar e como pagar, não importando se é imóvel próprio ou contrato de aluguel, locação sempre será uma boa opção de moradia, devido à mobilidade. Nesse sentido, os bairros próximos ao grande centro de trabalho preservarão os seus valores e serão uma boa opção de investimento tanto-para morar ou locar", afirma Quintanilha.

Fonte: Isto É, 24/set

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